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Quem é esse tão famoso Ascendente?
Astronomicamente falando, o Ascendente é a constelação (Signo) que surge na linha do horizonte (a Leste), no momento do nosso nascimento. Simbolicamente, enquanto o Sol simboliza a alma, a essência, nossa voz interior, o Ascendente é a maneira pela qual realizamos essa essência no mundo; a maneira como colocamos nossa voz interior no exterior. É muito comum também ouvirmos dizer que o Ascendente é a personalidade do indivíduo do grego “persona”, que significa “máscara”: alma no mundo, a maneira como o ser interior se relaciona com o mundo exterior. Para entendermos melhor quem é esse famoso Ascendente, vale à pena começarmos do “início”... Toda criança nasce com os chackras coronário e básico escancarados: ela é toda aberta, toda energia, toda alma. Para a criança, não existe diferenciação temporal, nem tampouco espacial. Muitas, desde cedo estranham os novos pais, a nova casa, a nova família; podem passar um bom tempo imaginando que foram adotadas; algumas sabem direitinho qual a missão que vieram cumprir nesta encarnação; têm lembranças “fresquinhas” de vidas passadas; e têm passagem direta ao plano astral, ou seja, enxergam o mundo “invisível” - para a maior parte dos adultos - com muita naturalidade, acreditando que todos estão vendo o mesmo que ela. Esta “criança-toda-alma”, ligada à sua voz interior, vai crescendo. E crescer consiste em passar por um processo de educação, de sociabilização, de adequação e adaptação aos moldes, padrões, regras e condicionamentos culturais, enfim, à imagem pré-fabricada que se encontra à nossa espera e que espera que nos encaixemos nela, de preferência sem aborrecer muito. Neste processo de (de)formação, a criança-toda-alma passa a ouvir muito a voz de fora, a voz dos Outros: da sociedade, dos pais, da escola, da religião, da moda, do mercado, da mídia…, vozes que começam a falar mais alto que a sua própria voz interior. Porisso, costumo dizer que a educação consiste num processo de ensurdecimento, de afastamento da própria essência, da alma. A fim de corresponder às expectativas destas vozes exteriores, já que toda criança deseja ser amada e aceita, ela vai construindo um outro “eu” (Ego) muito mais sintonizado com o Outro do que com sua própria alma. Só que, infelizmente, na maior parte do tempo, seuego não só vai contra sua alma, como a violenta. Entretanto, é imprescindível que exista o ego, pois vivemos em sociedade e viver em sociedade equivale a (com)viver, de preferência em harmonia, com o Outro. Como então, equilibrar alma e ego; como lapidar o ego a fim de que ele funcione como um servidor da alma, e não como seu mestre? Como realizar a “façanha” de nem se autoensurdecer privilegiando a voz dos outros e esquecendo-se da sua própria -, nem ser autista? Como alcançar o caminho do meio, ou seja: ouvir a voz do Outro, porque afinal vivemos com Ele, mas seguir nossa própria? É aqui que entra o Ascendente!Ele funciona como uma balança capaz de equilibrar ou desequilibrar o “dentro” com o “fora”; funciona como um filtro protetor capaz de atrair situações, pessoas e experiências exteriores que façam com que nos voltemos mais para dentro ou mais para fora de nós.Quanto mais próximo o indivíduo estiver de sua alma, mais ele irá vivenciar o lado positivo da energia do Signo Ascendente; quanto mais distante ele estiver de sua alma, ou seja, quanto mais ego ele for, mais ele irá experimentar os aspectos negativos daenergia do Signo Ascendente. Daí a importância do indivíduo se conscientizar das características luminosas e sombrias de seu Signo Ascendente, para que possa utilizá-lo mais sabiamente, pois um Ascendente “bem trabalhado” passa a funcionar como um talentoso maestro responsável por afinar as vozes - a interior com as exteriores. Outras duas imagens que podem enriquecer nossa compreensão do Signo Ascendente é a da “folha ao vento” e a do “capim ao vento”. O indivíduo-ego, escorado no Outro, preocupado e empenhado em satisfazer os olhares e expectativas do Outro, vive com a sensação de ser uma folha ao vento. Bate um vento (o exterior diz algo) ele vôa pra lá, bate outro vento (o exterior diz outra coisa) ele vôa pra cá, e por aí vai. Qualquer vento pode levá-lo a qualquer lugar, ou seja, este indivíduo à mercê do ego está sujeito a viver sob os caprichos de uma ordem exterior a ele. Ele está fora de si e experimenta com freqüência a sensação de não ter as rédeas da sua própria vida nas mãos. O ideal, ao nosso ver, é a busca espiritual a busca da alma: é viver com a sensação de ser um capim ao vento. Tente arrancar um capim com as mãos e com bastante força para ver o que acontece: você lanha suas mãos e o capim continua ali, enraizado. O vento bate, o capim se curva, mas não sai dali. O indivíduo-alma, ancorado em si, que coloca a alma como guia e bússola: este ninguém pode arrancar do lugar. E ele ouve as vozes do Outro, ou seja, os ventos batem nele, mas não o levam. Ele está em si e experimenta a sensação de que tem as rédeas da própria vida em suas mãos. É desta maneira que o Ascendente desempenha um papel muito importante na maneira de cumprir a nossa missão espiritual a da evolução da alma. Patrícia Franco Luzio
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